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14 de jun de 2012

Presidente da Acors, coronel Schauffert faz um desabafo

Divulgação Alesc
Esvaziada e burocrática, a audiência para discutir a insegurança pública na Grande Florianópolis, realizada em Palhoça pela Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa, teve um único momento que fugiu do script*.

O coronel Fred Harry Schauffert, comandante da 11ª Região da Polícia Militar, que engloba as principais unidades da região continental da Grande Florianópolis, fez um desafabo sobre a situação da instituição e defendeu uma mudança drástica e radical em todo sistema de segurança pública do Brasil.

Logo no começo, o coronel começou criticando a ausência da comunidade na audiência, e lembrou o artigo 144 da Constituição Federal, que diz que a segurança pública é "dever do Estado" e "responsabilidade de todos". Mais: defendeu a reformulação de todo o sistema penal e processual penal do país para se aumentar o poder de polícia. "Ou estaremos fadados ao insucesso", sentenciou no alto de seus 36 anos e seis meses de efetivo trabalho na PM.


Reeleito presidente da Associação de Oficiais (Acors), Schauffert também fez um diagnóstico da saúde dos servidores da segurança: o número reduzido do efetivo obriga o comando a reforçar as escalas de trabalho, causando estresse e prejudicando a qualidade de vida dos trabalhadores.

"Tanto policiais militares quanto policiais civis estão trabalhando além da conta, no limite, estão cansados, estressados", afirmou, depois de bater na tecla desgastada da falta de efetivo. A situação piora, segundo ele, quando são realizados grandes eventos na cidade, como o Ironman, que acaba tirando policiais das ruas.

Para o coronel, as instituições de segurança sofrem com duas síndromes. A primeira, "Síndrome da Rainha Vermelha" - uma referência ao livro de Marcos Rolim, especialista na área. Ou seja, "estamos [as polícias] correndo, mas não estamos saindo do lugar". A outra, "síndrome do espantalho", que é usar a polícia para espantar os bandidos. "A polícia serve para cumprir a lei, não para assustar", ironizou.

Claro, para o coronel Schauffert fazer esse desabafo é fácil. Ele não tem nada a perder, está no último posto da linha de comando e prestes a se aposentar. Fosse um tenente em começo de carreira, receberia uma repreensão. Ou fosse um soldado com 30 anos de serviço, seria punido com uma prisão, e correria o risco de expulso da corporação.

No começo da década de 1990, um policial de São José opinou a favor da desmilitarização da Polícia Militar. Foi expulso e só retornou mais de dez anos depois a partir de decisão judicial.

A única coisa que o coronel tem a perder é a chance de se tornar o comandante-geral da PM, afinal, um chefe assim não deve despertar o interesse do governador. Aliás, no final das contas, quem perde é a sociedade, que não vai ter a chance de experimentar o coronel Schauffert comandante.

* Script