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11 de fev de 2012

Ideli, ao lado de Prisco, incentivou mobilização de militares



Em dezembro de 2008, policiais e bombeiros militares ganharam os quartéis de Santa Catarina para reivindicar o cumprimento da Lei Complementar nº 254/2003, a famosa Lei 254. Foram oito dias de paralisação, que atravessou o Natal e se aproximou da virada do ano. Foram dias tensos, que se prolongaram por meses, anos, com a inquisição instalada nos quartéis depois que os praças suspenderam a paralisação.

Foram abertos mais de 50 conselhos de disciplinas, para julgar expulsões, e centenas de processos administrativos e inquéritos militares. No final das contas, 18 policiais militares foram expulsos da corporação.

Uma longa mobilização e campanha foi empreendida para se conquistar a anistia dos militares, cuja vitória só foi obtida três anos depois - dezembro de 2011 - de deflagrado o movimento de reinvidicação.

O vídeo a seguir, de janeiro de 2009, faz parte do processo de mobilização para barrar o clima de inquisição instalado nos quartéis. Contou com a presenção de dirigentes de associações classistas de policiais e bombeiros militares de diversos, ligados à Anaspra, para prestar solidariedade aos colegas catarinenses. Entre eles, o atual presidente da Aspra-BA, o soldado excluído Marco Prisco.


No vídeo, também estão o presidente da Aprasc, Amauri Soares, Jeoás Nascimento dos Santos, presidente da Associação dos Cabos e Soldados do Rio Grande do Norte e Manoel Aragão da Silva, deputado de Tocantins.

A então senadora e líder do governo Lula, Ideli Salvatti (PT), também esteve na reunião para socorrer os praças catarinenses. Em sua palestra, ela disse que, durante a tomada dos quartéis, temeu pela intervenção da Força Nacional de Segurança, se houvesse pedido do ex-governador Luiz Henrique da Silveira - hoje senador.

Como pode se ver e ouvir no vídeo, Ideli disse que pediria socorro ao então ministro da Justiça, Tarso Genro (PT), que agora ocupa o governo do Rio Grande do Sul, da vizinha Santa Catarina. Seu cargo é ocupado pelo também petista Eduardo Cardozo, responsável por jogar a Força Nacional e o Exército contra os praças da Bahia.

Em seu discurso, a atual ministra da Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do governo Dilma, afirma sobre o movimento dos militares, e seus limites legais de reivindicação, ao lado de Prisco:
Eu acho muito importante chamar atenção, ter alguns eventos que possa permitir que a posição de vocês [militares] também venha a público. Vocês estão corretíssimos de fazer movimento buscando apoio popular, abaixo-assinados.

Em determinado trecho, Ideli cita, e se apropria, da entrevista de um jornalista ao então comandante-geral da PM, coronel Eliésio Rodrigues.
Tem hierarquia, tem disciplina, então como é que reinvidica sem afrontar? Como é que pede, se não cumpre a lei? Reclama como?
 A convocação da ex-líder de governo Ideli Salvatti - para que os militares chamem a atenção do público -, no passado, esbarra hoje na inquisição levada à cabo pelo governo petista de Dilma Rousseff contra a manifestação dos praças da Bahia e Rio de Janeiro. No mínimo, incoerente.