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13 de out de 2010

Carta aberta ao presidente Carlos Lupi, por Hilário Scherner

A seguir carta do pedetista Hilário Scherner, ex prefeito de Paraíso (Extremo-oeste catarinense), dirigida ao ministro do Trabalho Carlos Lupi (PDT):

Carta aberta ao presidente Carlos Lupi

Caro Presidente,

Quando o saudoso Leonel Brizola alçou o companheiro à condição de 1º vice-presidente nacional do nosso partido, por certo, ele tinha suas razões, merecendo registro a relação de confiança e a convicção do líder de que Vossa Excelência estava qualificado para as tarefas de construção e de fortalecimento da organização partidária que integramos. De lá para cá, diante dos sucessivos fracassos eleitorais do PDT, pode-se dizer que foi um erro permitir que a Secretaria Geral exercesse a titularidade das atribuições que, um dia, Brizola lhe outorgara. Talvez tenha chegado o momento de Vossa Excelência, como dirigente sério, avocar para sí a missão para a qual foi designado, ao invés de confiar tais tarefas para políticos medíocres e burocratas fisiológicos.


Entre os que se imaginam “intocáveis” no âmbito do partido, o mais notável representante da mediocridade e do fisiologismo é Manoel Dias. Por obra e graça desse senhor afundamo-nos no cartorialismo e, por conseqüência, deixamos de fazer a auto-crítica e não conseguimos nos livrar de fórmulas e de práticas anacrônicas. O estranho é que apesar dos equívocos na estratégia, apesar dos erros táticos, essa figura inútil continua integrada à burocracia, usufruindo dos privilégios próprios daqueles que apenas parasitam no aparelho partidário. Aliás, só a possibilidade de que “alguém, por aí tem o rabo preso” pode explicar a permanência de elemento assim à frente da Secretaria Geral do PDT, derrota traz derrota eleitoral, uma vez que, nesse tempo todo, os raros êxitos obtidos nas urnas resultaram, exclusivamente, da força individual de algumas lideranças e personalidades e, diga-se de passagem, algumas delas com pouca ou nenhuma identificação com o programa nacional e popular do brizolismo.

O exemplo mais contundente da incompetência do senhor Manoel Dias é a situação do PDT no estado de Santa Catarina onde ele, também, é o eterno mandamás. Como resultado de mais uma aliança eleitoral equivocada e da falta de qualquer trabalho de base consistente, o PDT reduziu em 50% o tamanho da sua bancada estadual, não elegeu deputado federal e sofreu uma vergonhosa derrota política na condição de vice de uma chapa de governador encabeçada por um setor da nefanda oligarquia catarinense. Para piorar o quadro, às vésperas do segundo turno, mais de 90% dos aliados internos do senhor Manoel Dias (outrora entusiastas da coligação com o PP que imaginavam ocupar cargos públicos à custa dos votos que o casal Amin já não tinha) agora são cabos eleitorais de José Serra. Fica parecendo que na cabeça desse senhor o melhor seria que Dilma perdesse, pois isso significaria, também, uma derrota de Carlos Lupi. Assim, com “todos” perdendo eleitoralmente por igual, teria ele alguma perspectiva de se manter na estrutura interna do PDT tal como se encontra. Na prática, valeria a máxima: sacrifique-se o Brasil e salve-se Manoel Dias.

Sob pena de extinção, chegou a hora de Vossa Excelência dar um basta ao modo “Manoel Dias” de fazer política. Se ainda sonhamos com algum futuro, é o momento de livrar-nos de companhias inúteis, priorizando a organização real e a construção do novo. Entre outras coisas, urge exercer a democracia interna à exaustão; criar fóruns permanentes de discussão; constituir instâncias legítimas de deliberação; ademais, de empreender um extraordinário esforço para transformar a maioria dos filiados em quadros militantes (rebeldes, libertários, ousados, inovadores, radicais nos conteúdos, fraternos nas relações internas e externas, e profundamente comprometidos com a democracia e o socialismo).

Florianópolis (SC), em 12 de outubro de 2010.

Hilário Scherner – Militante do PDT – Ex-prefeito de Paraíso (SC).