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30 de set de 2009

Parlamento catarinense faz homenagem a Paulo Stuart Wright, deputado que desapareceu no período da ditadura militar

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina viveu, na noite de terça-feira, (29/09), mais um momento marcante em sua história de 175 anos. Foi a homenagem feita à memória e trajetória do ex-deputado Paulo Stuart Wright, desaparecido no período da ditadura militar. A iniciativa foi do presidente do Poder Legislativo. Participaram do evento familiares e amigos do político, além de representantes do Movimento Pró-Memória, Memorial dos Direitos Humanos (que reúne UFSC, Udesc e Assembleia), Igreja Presbiteriana e do Instituto Paulo Stuart Wright. O ato foi realizado no Plenarinho da Assembleia, que leva o nome do político desaparecido.

Natural do município de Joaçaba, no Oeste catarinense, Paulo Stuart Wright nasceu em julho de 1933. Filho de missionários presbiterianos americanos, seu interesse pelas causas populares despontou ainda quando adolescente e fez com que entrasse para a vida política em 1961, quando se candidatou à prefeitura de sua cidade. No ano seguinte conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa, pelo Partido Social Progressista (PSP). Porém, seu mandato durou pouco tempo. Em 1964, após o golpe militar, foi cassado e partiu para o exílio, passando pelo México, Cuba e China. Ele também era membro da Ação Popular, um movimento que procurava promover a inserção social e a conscientização política da sociedade e que não foi reconhecido pelo governo golpista.

Clandestinamente, Paulo retornou ao país nove anos depois, quando foi preso numa estação de trem da periferia de São Paulo e desapareceu. Até os dias atuais permanece a ausência de informações sobre seu destino após a prisão. Em vários momentos os presentes ao ato de homenagem manifestaram a tristeza não só pelo desaparecimento de um líder que lutava pelos direitos do povo, mas principalmente pelo fato de a família e companheiros não terem podido promover um funeral digno.

Diante deste fato, que há 36 anos atormenta familiares e amigos, o Parlamento, através dessa homenagem, procura manter viva a história em prol dos direitos humanos que Paulo sempre defendeu. Emocionado, João Paulo Wright, filho do político desaparecido, falou sobre o sentimento diário de querer encontrar seu pai, o mesmo sentimento que, em geral, atinge os que perderam seus entes queridos durante a ditadura militar. “A democracia brasileira está preparada para receber as respostas para perguntas que nos assolam todos os dias. Chegou a hora de os arquivos do DOPS serem abertos e revelados. Só assim vamos saber os destinos das pessoas desaparecidas na época. Quanto mais tempo passar, mais longe estaremos da verdade”, lamentou.

Para Marlene Rocha, presidente do Instituto Paulo Stuart Wright, cuja sede é na Capital catarinense, esse é o momento de dar continuidade à luta do ex-parlamentar pelos direitos humanos. “O instituto, assim como a família, quer saber o destino de Paulo. Por esse ideal continuamos lutando. Esse acontecimento não é importante apenas para a história de Santa Catarina, mas para o Brasil, por isso deve servir de exemplo e para que os torturadores sejam punidos. Só assim períodos ruins e difíceis como o da ditadura militar não acontecerão mais”, ressaltou.

Dois momentos marcaram a homenagem. Primeiro, a entrega de uma placa, em nome do Poder Legislativo, ao Padre Alípio de Freitas, que conviveu com Paulo no período de exílio. Ele destacou que manter viva a memória é fundamental. “Quando alguém perde a memória, perde tudo. A pior morte não é morrer fisicamente numa câmara de tortura, mas ver que ninguém se lembra da sua luta”, frisou.

No segundo momento, a entrega de um quadro com a foto de Paulo Stuart Wright e um trecho de seu primeiro pronunciamento na condição de deputado estadual. O presente foi entregue por João Paulo Wright ao presidente da Alesc.

Estiveram presentes ao evento os deputados Pedro Uczai (PT), que assumiu a presidência do ato após a abertura, Jailson Lima (PT) e Sargento Amauri Soares (PDT).

Fonte: Tatiani Magalhães/Divulgação Alesc