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20 de mai. de 2009

O retrato dos presidiários: jovem, analfabeto, reincidente e ladrão

Jovem, urbano, com baixíssima escolaridade, reincidente, com mais de uma condenação e ladrão. Esse é o perfil médio dos internos da Penitenciária Industrial de Joinville.

O retrato foi apresentado na Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa pelo deputado Kennedy Nunes (PP) a partir de pesquisa feita por iniciativa do diretor da penitenciária, Richard Harrison.

Na ánalise do deputado, os números mostram que o presidiário é o jovem usuário de drogas (65,2% entre 18 e 29 anos), que rouba para comprar, cometendo o chamado crime contra o patrimônio. Outra observação é que o sistema não recupera ninguém, tanto que a maioria é reincidente.

Apesar de se referir a apenas uma unidade prisionar, o perfil pode se encaixar perfeitamente em outras penitenciárias, presídios e cadeias.

Os integrantes da comissão decidiram encaminhar pedido ao governo para submeter a pesquisa em todas unidades do Estado a fim de traçar políticas públicas mais próximas da realidade.


Confira a pesquisa "Perfil dos Internos da Penitenciária Industrial de Joinville

Grau de instrução
Analfabeto: 02%
Alfabetizado: 03%
Fundamental incompleto: 63%
Fundamental completo: 12%
Médio incompleto: 10%
Superior incompleto: 02%
Superior completo: 0%

Reincidência
Primário: 17%
Primário com mais de uma condenação: 39%
Reincidente: 44%

Procedência
Área urbana: 84%
Área rural: 16%

Faixa etária
18 a 24 anos: 35,5%
25 a 29 anos: 29,7%
30 a 34 anos: 13,6%
35 a 45 anos: 15,3%
46 a 60 anos: 6,4%

Crimes por espécie
Contra a pessoa: 9,7%
Contra o patrimônio: 58%
contra os costumes: 9,1%
Tráfico de entorpecentes: 18%

Um corpo estranho na greve dos motoristas

José Ricardo Toscan de Freitas, mais conhecido como Ricardo Freitas, é apontado como assessor político do Sintraturb. Ele não é cobrador, nem motorista, portanto não é diretor do sindicato, mas é quem dirige a greve, concede entrevistas e fala em nome da categoria. É, de fato, a liderança política dos motoristas e cobradores.

Ex-bancário, o líder terceirizado já foi candidato a vereador da Capital pelo PT, em 2000, e recebeu 1.362 votos. Pelo menos desde essa época, ele já respondia como assessor do antigo Sindmoc. Já foi também representante dos trabalhadores no Conselho Municipal de Transporte (CMT).

Qualificado, Freitas tem curso superior e certamente está numa etapa acadêmica mais elevada que a maioria dos cobradores e motoristas. Como assessor, deveria contribuir politicamente com os diretores, de forma pedagógica, e não tomar o lugar deles.

Cesar Valente escreveu sobre a relação muito esquisita entre a greve e os patrões. Por ora, deixo essa parte com os adeptos da teoria da conspiração. Estranho mesmo é a influência que Ricardo Freitas exerce no sindicato.

16 de mai. de 2009

A farra do boi

Enquanto começava o mega-show do Roberto Carlos, tive a impressão que a cidade estava em polvorosa, pelo menos ali na região conhecida como Grande Trindade.

Estava caminhando próximo da rótula da Carvoeira, na entrada da UFSC, quando um motoqueiro nos parou, eu e uma amiga, avisando que um boi bravo estava se aproximando. De súbito, não entendi direito o alerta... só fui entender o que estava acontecendo quando vi um boi grande e chifrudo, vindo em nossa direção. A reação imediata foi atravessar a rua para que o animal encontrasse os carros como obstáculos se viesse em nossa direção - até porque ali não tem casas para pular o muro, só o alambrado da universidade.

Passado o susto, começamos a nos perguntar de onde viria o boi, se era uma farra ou apenas mais um espertalhão que pulou as cercas das mangueiras no Pantanal. Mais tarde a suspeita se confirmou. Perguntei para um guri, que estava próximo do HU procurando pelo boi, de onde surgiu o chifrudo. Era para ser uma farra no morro do Pantanal, mas os farristas não esperavam que o animal fosse descer até o asfalto.

A Polícia Militar, a Guarda Municipal e a Segurança da UFSC, avisados, estavam mais perdidos que o boi. Não sabiam para que direção seguir.

E daí !?

A farra, o chifrudo bravo solto e a polícia perdida me fez pensar como a cidade está especialmente abandonada hoje ...

Aceite-se ou não, a farra do boi é condenada pelas autoridades e reprimida pela Polícia. Certamente, o dia de hoje foi escolhido pelos farristas porque é quando a gente vai encontrar menos policial na rua. É o dia perfeito para se cometer um crime, um assalto, por exemplo, porque todo o policiamento está voltado para o show do Roberto Carlos (600 homens) e para o WTTC (mais de 1000 policiais). Quer dizer, não tem efetivo para as ocorrências convencionais porque foi tudo empregado nos eventos da RBS.

Enfim, quem não tem dinheiro para participar do congresso mundial de turismo ou paciência para assistir o Rei, melhor ficar em casa. É mais seguro.

8 de mai. de 2009

A PM e os ambientalistas

Retirado do blog Vera Maria Eco Floripa:

Terça-feira, 5 de Maio de 2009
Manifestação contra o Código (Anti)Ambiental reprimida por tropa de elite

Participamos de manifestação contra o Código (Anti)Ambiental hoje, cinco de maio, uma passeata organizada por estudantes do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina, em caminhada desde ao campus até a casa do governador.

A manifestação era pacífica e silenciosa. Ocupávamos duas pistas da av. Beira Mar Norte, os automóveis passavam na terceira, tranquilamente, e muitos motoristas buzinavam em sinal de aprovação. Os estudantes levavam seus banners, confeccionados com papel pardo, mas tinham combinado de não cantar refrões nem palavras de ordem.

Já perto do supermercado Angeloni, fomos cercados primeiro pela guarda de trânsito, depois, por policiais do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT). Gente, somos importantes, a elite da Polícia Militar de Santa Catarina! Os militares começaram a empurrar os estudantes (e nós também) para a calçada, com grosseria. Alguns seguravam metralhadora, outros ameaçavam usar cassetetes e gás de pimenta, em caso de desobediência às ordens.

Um dos estudantes foi atingido pelo gás e vários incidentes quase se converteram em um confronto maior, não fossem as insistentes conversas diplomáticas dos líderes. Porém, os militares se negaram a ler a autorização dada à passeata, que os jovens tinham em mãos.

Incrível, mas fomos reprimidos, na avenida Beira Mar, pela tropa de elite! Se eu não estivesse lá não teria acreditado na grosseria e truculência desses militares contra uma manifestação pacífica, de interesse de todos os catarinenses. Até tentamos convencê-los de que o tema interessava a eles também (logo eles, que reclamam do governador por melhores salários!).

A repressão mudou o ânimo dos estudantes. Quietos até então, eles começaram a cantar refrões contra o governador. E assim, fomos caminhando até a Casa da Agronômica, escoltados pela tropa, com um carro da patrulha à frente e outro atrás de nós. Os buzinaços não paravam, o povo nos apoiava.

O governador estava em casa, mas se negou a receber qualquer manifestante, nem um grupo de dez, nem de cinco, nem um só. Os jovens queriam lhe entregar um manifesto, mas o chefe do executivo mandou dizer que quem quisesse falar com ele deveria marcar audiência lá no Centro Administrativo, que é onde sua excelência recebe as pessoas.

Os banners foram colados com fita adesiva no muro da casa ocupada por sua excelência - cujo aluguel é pago por nós. Os jovens receberam autorização para deixar os cartazes por pouco tempo, o suficiente apenas para registrar o ato em fotos, retirando-os em seguida. Autorização dada, eles recomeçaram a empurrar e a ordenar, inclusive para mim, "e agora saia daqui" [da frente dos portões], com a mesma truculência de antes.

Enquanto isso, o inquilino da ilustre Casa tinha acabado de decretar algumas medidas emergenciais para salvar os agricultores do Oeste catarinense, apavorados com os prejuízos da safra, provocados pela estiagem prolongada. Entre as medidas, estão a isenção de taxa para quem quiser cavar poços artesianos, e o envio de caminhões-pipa com água (retirada de onde?), com a recomendação de que os agricultores captem água da chuva, de agora em diante, para regar suas plantações. Captar como, se não chove? No entanto, desmatar encostas e beiras de rios pode!

Vera Maria Flesch, jornalista

A noite mais fria no assentamento do MST




Assentamento 25 de Maio, Santa Terezinha, Alto Vale do Itajaí, no dia mais frio do ano, entre 3 e 5º C

5 de mai. de 2009

Ideli: acarranda rumo ao Centro Administrativo

O Hotel Himmelblau, em Blumenau, pode ser considerado a linha de largada da senadora Ideli Salvatti (PT) para a corrida de 2010, durante evento de prestação de contas da família Lima (os petistas Décio e Ana Paula). O evento, que era para ser uma avaliação dos mandatos do deputado federal e da deputada estadual do Médio Vale do Itajaí, se transformou em um verdadeiro comício de campanha ao governo do Estado. Foi pequeno, porém significativo, dada a presença de algumas dezenas de prefeitos, vices e vereadores do PT e partidos aliados, além de sindicalistas, empresários e imprensa.

Cláudio Vignatti (PT), deputado federal e pré-candidato do partido ao Senado, também estava presente. Fez o discurso mais entusiasmado. Em campanha, elogiou o governo Lula, falou que o povo brasileiro está mais feliz e criticou o governo do Estado. Segundo ele, o maior erro dos petistas foi autorizar o repasse dos recursos federais direto para o governo estadual ao invés de mandar diretamente aos administradores municipais. Aliás, o assunto foi destaque também dos outros oradores. Ideli jogou a responsabilidade da demora em liberar os recursos na incompetência de prefeitos ligados à Luiz Henrique da Silveira.

Ficou claro, no discurso da senadora, que seu eixo de campanha vai ser as obras do PAC em Santa Catarina. Ela também deixou escapar que o cargo de vice pode ser ocupado por algum empresário da região do Médio Vale do Itajaí ou Joinville, um setor e duas regiões que o PT pretende prestigiar.

Para 2012, começou a se construir a chapa para a prefeitura de Blumenau, com Ana Paula Lima na cabeça. O mote vai ser a "agenda da reconstrução", que tem mobilizado o casal, a senadora e os outros parlamentares

4 de mai. de 2009

Corinthians fenomenal e invencível


Parecia que o Corinthians ia tomar um corridão, como sofreu do Atlético Paranaense, na quarta-feira passada, quando levou três gols nos primeiros 50 minutos. Naquele jogo da Copa do Brasil, o Timão conseguiu se reabilitar e diminuir a diferença para um gol.

Mano Menezes conseguiu aproveitar aquela derrota para dar uma lição aos jogadores corinthianos, e evitar uma superação do Santos no último jogo da final.

Os praianos começaram o primeiro tempo indo pra cima, tentando ferir o Corinthians. Abriu o placar, com um gol de penalti irregular, mas não conseguiu, de fato, machucar o Timão.

Como aconteceu várias vezes ao longo do campeonato, o Corinthians conseguiu reverter uma situação de desvantagem e empatar a partida com um toque de classe de Dentinho, perseguido dentro de campos pela zaga santista, e uma finalização, de bico, de André Santos, muito conhecido pela torcida do Figueirense.

Aliás, empate foi forte do Corinthians durante todo o campeonato. Na primeira fase, foram nove resultados iguais, se tornando o time que mais empatou. Também foi a defesa menos vazada. E foi um zagueiro, Chicão, que ficou com a artilharia do time. Ronaldo ficou em segundo.

Por coincidência, antes do jogo, a Band transmitiu uma entrevista com o lateral André, provavelmente feita durante a semana, na qual ele contou sua longa trajetória para chegar ao Timão. Paulista, ele viveu muitos anos em Florianópolis, onde guarda muitos amigos e histórias.

Invicto, o Corinthians foi o campeão do Campeonato Paulista, o certame mais difícil entre os estaduais do país, concorrendo contra Santos, São Caetano, Palmeiras (campeão Paulista de 2008) e São Paulo (atual campeão Brasileiro).

Ronaldo, o Fenômeno

Escrevi aqui, e felizmente estava errado, que a contratação do Ronaldo poderia ser mais uma jogada de marketing do que uma importante peça para o time de Mano. Desconfiei que seu status de celebridade poderia desestabilizar um time redondinho, que já havia ganho a Série B com primor, honra e capacidade. Escrevi ainda que o presidente Andrés Sanches estava "colocando a publicidade acima do departamento de futebol". Errei, e Andrés acertou.

Felizmente, o Fenômeno foi humilde o suficiente para frequentar todos os estádios do interior e da Capital paulista, muitos esburacados e sem estrutura, e conviver com seus colegas, alguns em início de carreira.

Enfim, foi um Corinthians fenomenal e invencível.