Acabei de ficar sabendo, por um diretor do Sintraturb, que a greve dos trabalhadores do transporte, motoristas e cobradores, da Grande Florianópolis terminou. A categoria resolveu recuar por entender que não há condições políticas de continuar e também para não atrapalhar o dissídio junto à Justiça do Trabalho.
A atitude do Ministério Público do Trabalho, que entrou com ação judicial pedindo o fim da paralisação total, também foi preponderante, segundo o diretor.
Os trabalhadores permanecem em "estado de greve", e pode haver surpresas no curto prazo. As negociações também continuam. Os ônibus estarão na rua a partir das 18h30min.
Cabeçalho 1
20 de mai. de 2009
O trem da Assembléia
A exemplo do Código Ambiental, a idéia é que a direção da Casa trabalhe, em consenso, para mobilizar os deputados e a sociedade, através das audiências públicas, e agilizar os trabalhos das comissões permanentes e fóruns específicos. "A Mesa Diretora vai puxar o vagão das comissões de mérito, vai ajudar a puxar e destravar as pautas", descreveu o presidente Jorginho Mello (PSDB).
O próprio terceiro-secretário Valmir Comin (PP) reconheceu que a Casa tem muitos fóruns que "acabam se perdendo e se esvaziando". Devem ser vagões que descarrilharam no caminho...
Em resumo, os deputados vão ter que entrar nos trilhos para o trem da Assembléia começar a se movimentar.
O retrato dos presidiários: jovem, analfabeto, reincidente e ladrão
Jovem, urbano, com baixíssima escolaridade, reincidente, com mais de uma condenação e ladrão. Esse é o perfil médio dos internos da Penitenciária Industrial de Joinville.
O retrato foi apresentado na Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa pelo deputado Kennedy Nunes (PP) a partir de pesquisa feita por iniciativa do diretor da penitenciária, Richard Harrison.
Na ánalise do deputado, os números mostram que o presidiário é o jovem usuário de drogas (65,2% entre 18 e 29 anos), que rouba para comprar, cometendo o chamado crime contra o patrimônio. Outra observação é que o sistema não recupera ninguém, tanto que a maioria é reincidente.
Apesar de se referir a apenas uma unidade prisionar, o perfil pode se encaixar perfeitamente em outras penitenciárias, presídios e cadeias.
Os integrantes da comissão decidiram encaminhar pedido ao governo para submeter a pesquisa em todas unidades do Estado a fim de traçar políticas públicas mais próximas da realidade.
Confira a pesquisa "Perfil dos Internos da Penitenciária Industrial de Joinville
Grau de instrução
Analfabeto: 02%
Alfabetizado: 03%
Fundamental incompleto: 63%
Fundamental completo: 12%
Médio incompleto: 10%
Superior incompleto: 02%
Superior completo: 0%
Reincidência
Primário: 17%
Primário com mais de uma condenação: 39%
Reincidente: 44%
Procedência
Área urbana: 84%
Área rural: 16%
Faixa etária
18 a 24 anos: 35,5%
25 a 29 anos: 29,7%
30 a 34 anos: 13,6%
35 a 45 anos: 15,3%
46 a 60 anos: 6,4%
Crimes por espécie
Contra a pessoa: 9,7%
Contra o patrimônio: 58%
contra os costumes: 9,1%
Tráfico de entorpecentes: 18%
O retrato foi apresentado na Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa pelo deputado Kennedy Nunes (PP) a partir de pesquisa feita por iniciativa do diretor da penitenciária, Richard Harrison.
Na ánalise do deputado, os números mostram que o presidiário é o jovem usuário de drogas (65,2% entre 18 e 29 anos), que rouba para comprar, cometendo o chamado crime contra o patrimônio. Outra observação é que o sistema não recupera ninguém, tanto que a maioria é reincidente.
Apesar de se referir a apenas uma unidade prisionar, o perfil pode se encaixar perfeitamente em outras penitenciárias, presídios e cadeias.
Os integrantes da comissão decidiram encaminhar pedido ao governo para submeter a pesquisa em todas unidades do Estado a fim de traçar políticas públicas mais próximas da realidade.
Confira a pesquisa "Perfil dos Internos da Penitenciária Industrial de Joinville
Grau de instrução
Analfabeto: 02%
Alfabetizado: 03%
Fundamental incompleto: 63%
Fundamental completo: 12%
Médio incompleto: 10%
Superior incompleto: 02%
Superior completo: 0%
Reincidência
Primário: 17%
Primário com mais de uma condenação: 39%
Reincidente: 44%
Procedência
Área urbana: 84%
Área rural: 16%
Faixa etária
18 a 24 anos: 35,5%
25 a 29 anos: 29,7%
30 a 34 anos: 13,6%
35 a 45 anos: 15,3%
46 a 60 anos: 6,4%
Crimes por espécie
Contra a pessoa: 9,7%
Contra o patrimônio: 58%
contra os costumes: 9,1%
Tráfico de entorpecentes: 18%
Um corpo estranho na greve dos motoristas
José Ricardo Toscan de Freitas, mais conhecido como Ricardo Freitas, é apontado como assessor político do Sintraturb. Ele não é cobrador, nem motorista, portanto não é diretor do sindicato, mas é quem dirige a greve, concede entrevistas e fala em nome da categoria. É, de fato, a liderança política dos motoristas e cobradores.
Ex-bancário, o líder terceirizado já foi candidato a vereador da Capital pelo PT, em 2000, e recebeu 1.362 votos. Pelo menos desde essa época, ele já respondia como assessor do antigo Sindmoc. Já foi também representante dos trabalhadores no Conselho Municipal de Transporte (CMT).
Qualificado, Freitas tem curso superior e certamente está numa etapa acadêmica mais elevada que a maioria dos cobradores e motoristas. Como assessor, deveria contribuir politicamente com os diretores, de forma pedagógica, e não tomar o lugar deles.
Cesar Valente escreveu sobre a relação muito esquisita entre a greve e os patrões. Por ora, deixo essa parte com os adeptos da teoria da conspiração. Estranho mesmo é a influência que Ricardo Freitas exerce no sindicato.
Ex-bancário, o líder terceirizado já foi candidato a vereador da Capital pelo PT, em 2000, e recebeu 1.362 votos. Pelo menos desde essa época, ele já respondia como assessor do antigo Sindmoc. Já foi também representante dos trabalhadores no Conselho Municipal de Transporte (CMT).
Qualificado, Freitas tem curso superior e certamente está numa etapa acadêmica mais elevada que a maioria dos cobradores e motoristas. Como assessor, deveria contribuir politicamente com os diretores, de forma pedagógica, e não tomar o lugar deles.
Cesar Valente escreveu sobre a relação muito esquisita entre a greve e os patrões. Por ora, deixo essa parte com os adeptos da teoria da conspiração. Estranho mesmo é a influência que Ricardo Freitas exerce no sindicato.
16 de mai. de 2009
A farra do boi
Enquanto começava o mega-show do Roberto Carlos, tive a impressão que a cidade estava em polvorosa, pelo menos ali na região conhecida como Grande Trindade.
Estava caminhando próximo da rótula da Carvoeira, na entrada da UFSC, quando um motoqueiro nos parou, eu e uma amiga, avisando que um boi bravo estava se aproximando. De súbito, não entendi direito o alerta... só fui entender o que estava acontecendo quando vi um boi grande e chifrudo, vindo em nossa direção. A reação imediata foi atravessar a rua para que o animal encontrasse os carros como obstáculos se viesse em nossa direção - até porque ali não tem casas para pular o muro, só o alambrado da universidade.
Passado o susto, começamos a nos perguntar de onde viria o boi, se era uma farra ou apenas mais um espertalhão que pulou as cercas das mangueiras no Pantanal. Mais tarde a suspeita se confirmou. Perguntei para um guri, que estava próximo do HU procurando pelo boi, de onde surgiu o chifrudo. Era para ser uma farra no morro do Pantanal, mas os farristas não esperavam que o animal fosse descer até o asfalto.
A Polícia Militar, a Guarda Municipal e a Segurança da UFSC, avisados, estavam mais perdidos que o boi. Não sabiam para que direção seguir.
E daí !?
A farra, o chifrudo bravo solto e a polícia perdida me fez pensar como a cidade está especialmente abandonada hoje ...
Aceite-se ou não, a farra do boi é condenada pelas autoridades e reprimida pela Polícia. Certamente, o dia de hoje foi escolhido pelos farristas porque é quando a gente vai encontrar menos policial na rua. É o dia perfeito para se cometer um crime, um assalto, por exemplo, porque todo o policiamento está voltado para o show do Roberto Carlos (600 homens) e para o WTTC (mais de 1000 policiais). Quer dizer, não tem efetivo para as ocorrências convencionais porque foi tudo empregado nos eventos da RBS.
Enfim, quem não tem dinheiro para participar do congresso mundial de turismo ou paciência para assistir o Rei, melhor ficar em casa. É mais seguro.
Estava caminhando próximo da rótula da Carvoeira, na entrada da UFSC, quando um motoqueiro nos parou, eu e uma amiga, avisando que um boi bravo estava se aproximando. De súbito, não entendi direito o alerta... só fui entender o que estava acontecendo quando vi um boi grande e chifrudo, vindo em nossa direção. A reação imediata foi atravessar a rua para que o animal encontrasse os carros como obstáculos se viesse em nossa direção - até porque ali não tem casas para pular o muro, só o alambrado da universidade.Passado o susto, começamos a nos perguntar de onde viria o boi, se era uma farra ou apenas mais um espertalhão que pulou as cercas das mangueiras no Pantanal. Mais tarde a suspeita se confirmou. Perguntei para um guri, que estava próximo do HU procurando pelo boi, de onde surgiu o chifrudo. Era para ser uma farra no morro do Pantanal, mas os farristas não esperavam que o animal fosse descer até o asfalto.
A Polícia Militar, a Guarda Municipal e a Segurança da UFSC, avisados, estavam mais perdidos que o boi. Não sabiam para que direção seguir.
E daí !?
A farra, o chifrudo bravo solto e a polícia perdida me fez pensar como a cidade está especialmente abandonada hoje ...
Aceite-se ou não, a farra do boi é condenada pelas autoridades e reprimida pela Polícia. Certamente, o dia de hoje foi escolhido pelos farristas porque é quando a gente vai encontrar menos policial na rua. É o dia perfeito para se cometer um crime, um assalto, por exemplo, porque todo o policiamento está voltado para o show do Roberto Carlos (600 homens) e para o WTTC (mais de 1000 policiais). Quer dizer, não tem efetivo para as ocorrências convencionais porque foi tudo empregado nos eventos da RBS.
Enfim, quem não tem dinheiro para participar do congresso mundial de turismo ou paciência para assistir o Rei, melhor ficar em casa. É mais seguro.
8 de mai. de 2009
A PM e os ambientalistas
Retirado do blog Vera Maria Eco Floripa:
Terça-feira, 5 de Maio de 2009
Manifestação contra o Código (Anti)Ambiental reprimida por tropa de elite
Participamos de manifestação contra o Código (Anti)Ambiental hoje, cinco de maio, uma passeata organizada por estudantes do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina, em caminhada desde ao campus até a casa do governador.
A manifestação era pacífica e silenciosa. Ocupávamos duas pistas da av. Beira Mar Norte, os automóveis passavam na terceira, tranquilamente, e muitos motoristas buzinavam em sinal de aprovação. Os estudantes levavam seus banners, confeccionados com papel pardo, mas tinham combinado de não cantar refrões nem palavras de ordem.
Já perto do supermercado Angeloni, fomos cercados primeiro pela guarda de trânsito, depois, por policiais do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT). Gente, somos importantes, a elite da Polícia Militar de Santa Catarina! Os militares começaram a empurrar os estudantes (e nós também) para a calçada, com grosseria. Alguns seguravam metralhadora, outros ameaçavam usar cassetetes e gás de pimenta, em caso de desobediência às ordens.
Um dos estudantes foi atingido pelo gás e vários incidentes quase se converteram em um confronto maior, não fossem as insistentes conversas diplomáticas dos líderes. Porém, os militares se negaram a ler a autorização dada à passeata, que os jovens tinham em mãos.
Incrível, mas fomos reprimidos, na avenida Beira Mar, pela tropa de elite! Se eu não estivesse lá não teria acreditado na grosseria e truculência desses militares contra uma manifestação pacífica, de interesse de todos os catarinenses. Até tentamos convencê-los de que o tema interessava a eles também (logo eles, que reclamam do governador por melhores salários!).
A repressão mudou o ânimo dos estudantes. Quietos até então, eles começaram a cantar refrões contra o governador. E assim, fomos caminhando até a Casa da Agronômica, escoltados pela tropa, com um carro da patrulha à frente e outro atrás de nós. Os buzinaços não paravam, o povo nos apoiava.
O governador estava em casa, mas se negou a receber qualquer manifestante, nem um grupo de dez, nem de cinco, nem um só. Os jovens queriam lhe entregar um manifesto, mas o chefe do executivo mandou dizer que quem quisesse falar com ele deveria marcar audiência lá no Centro Administrativo, que é onde sua excelência recebe as pessoas.
Os banners foram colados com fita adesiva no muro da casa ocupada por sua excelência - cujo aluguel é pago por nós. Os jovens receberam autorização para deixar os cartazes por pouco tempo, o suficiente apenas para registrar o ato em fotos, retirando-os em seguida. Autorização dada, eles recomeçaram a empurrar e a ordenar, inclusive para mim, "e agora saia daqui" [da frente dos portões], com a mesma truculência de antes.
Enquanto isso, o inquilino da ilustre Casa tinha acabado de decretar algumas medidas emergenciais para salvar os agricultores do Oeste catarinense, apavorados com os prejuízos da safra, provocados pela estiagem prolongada. Entre as medidas, estão a isenção de taxa para quem quiser cavar poços artesianos, e o envio de caminhões-pipa com água (retirada de onde?), com a recomendação de que os agricultores captem água da chuva, de agora em diante, para regar suas plantações. Captar como, se não chove? No entanto, desmatar encostas e beiras de rios pode!
Vera Maria Flesch, jornalista
Terça-feira, 5 de Maio de 2009
Manifestação contra o Código (Anti)Ambiental reprimida por tropa de elite
Participamos de manifestação contra o Código (Anti)Ambiental hoje, cinco de maio, uma passeata organizada por estudantes do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina, em caminhada desde ao campus até a casa do governador.
A manifestação era pacífica e silenciosa. Ocupávamos duas pistas da av. Beira Mar Norte, os automóveis passavam na terceira, tranquilamente, e muitos motoristas buzinavam em sinal de aprovação. Os estudantes levavam seus banners, confeccionados com papel pardo, mas tinham combinado de não cantar refrões nem palavras de ordem.
Já perto do supermercado Angeloni, fomos cercados primeiro pela guarda de trânsito, depois, por policiais do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT). Gente, somos importantes, a elite da Polícia Militar de Santa Catarina! Os militares começaram a empurrar os estudantes (e nós também) para a calçada, com grosseria. Alguns seguravam metralhadora, outros ameaçavam usar cassetetes e gás de pimenta, em caso de desobediência às ordens.
Um dos estudantes foi atingido pelo gás e vários incidentes quase se converteram em um confronto maior, não fossem as insistentes conversas diplomáticas dos líderes. Porém, os militares se negaram a ler a autorização dada à passeata, que os jovens tinham em mãos.
Incrível, mas fomos reprimidos, na avenida Beira Mar, pela tropa de elite! Se eu não estivesse lá não teria acreditado na grosseria e truculência desses militares contra uma manifestação pacífica, de interesse de todos os catarinenses. Até tentamos convencê-los de que o tema interessava a eles também (logo eles, que reclamam do governador por melhores salários!).
A repressão mudou o ânimo dos estudantes. Quietos até então, eles começaram a cantar refrões contra o governador. E assim, fomos caminhando até a Casa da Agronômica, escoltados pela tropa, com um carro da patrulha à frente e outro atrás de nós. Os buzinaços não paravam, o povo nos apoiava.
O governador estava em casa, mas se negou a receber qualquer manifestante, nem um grupo de dez, nem de cinco, nem um só. Os jovens queriam lhe entregar um manifesto, mas o chefe do executivo mandou dizer que quem quisesse falar com ele deveria marcar audiência lá no Centro Administrativo, que é onde sua excelência recebe as pessoas.
Os banners foram colados com fita adesiva no muro da casa ocupada por sua excelência - cujo aluguel é pago por nós. Os jovens receberam autorização para deixar os cartazes por pouco tempo, o suficiente apenas para registrar o ato em fotos, retirando-os em seguida. Autorização dada, eles recomeçaram a empurrar e a ordenar, inclusive para mim, "e agora saia daqui" [da frente dos portões], com a mesma truculência de antes.
Enquanto isso, o inquilino da ilustre Casa tinha acabado de decretar algumas medidas emergenciais para salvar os agricultores do Oeste catarinense, apavorados com os prejuízos da safra, provocados pela estiagem prolongada. Entre as medidas, estão a isenção de taxa para quem quiser cavar poços artesianos, e o envio de caminhões-pipa com água (retirada de onde?), com a recomendação de que os agricultores captem água da chuva, de agora em diante, para regar suas plantações. Captar como, se não chove? No entanto, desmatar encostas e beiras de rios pode!
Vera Maria Flesch, jornalista
A noite mais fria no assentamento do MST
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