Cabeçalho 1

11 de jan. de 2009

Enquete encerrada: Pavan é o mais rejeitado

Leonel Pavan, vice-governador, venceu a rejeição na enquete feita entre os leitores do blog, com 54%, seguido de Dário Berger. Pinho Moreira é quem tem menos rejeição.

Resultado final da votação

Em quem você não votaria para governador em 2010?

Dário Berger (PMDB): 19 (51%)

Eduardo Pinho Moreira (PMDB): 10 (27%)

Ideli Salvatti (PT): 17 (45%)

Leonel Pavan (PSDB): 20 (54%)

Raimundo Colombo (DEM): 12 (32%)

Votos até o momento: 37

Obrigado a todos que votaram.

10 de jan. de 2009

Dentão e Dentinho

Li na "Folha de São Paulo" e trouxe para cá:

LEIO NO UOL que Dentinho, do Corinthians, é um dos atacantes cogitados pelo Lyon, campeão francês, para ocupar a vaga que deve ser deixada por Fred.

Os outros são o palmeirense Kleber, o cruzeirense Guilherme e o coxa-branca Keirrison.
Se Dentinho deixar o Corinthians, haverá vários motivos para lamentar. Primeiro, porque se desfaria assim uma dupla singularmente simpática e potencialmente poderosa: Dentinho e Dentão, que é como o cartunista Ziraldo rebatizou Ronaldo, transformado por ele em personagem de desenho.

Os dois são carismáticos, risonhos, dentuços. Uma amiga querida brincou: o dente está para o futebol como a língua presa para o automobilismo? Boa pergunta. Mercados garantidos para fonoaudiólogos e ortodontistas.

Mas a possível saída de Dentinho seria lamentável também por outros motivos. Poucos viveram com tanta intensidade e em tão pouco tempo a agonia e o êxtase de ser corintiano.
Aos 19 anos, com apenas duas temporadas no profissionalismo, ele vivenciou a alegria de ser craque revelação do Paulistão, a depressão do rebaixamento à Série B e a redenção do retorno triunfal à elite. Foi aplaudido, vaiado, carregado em triunfo.

Um verdadeiro curso de madureza.

Mas Dentinho, como muita gente sabe, tem outra peculiaridade. Assim como o ex-craque italiano Roberto Baggio, ele é budista. Curioso esse paralelo: se o sereno budismo de Baggio surpreendia por caracterizar alguém inserido numa cultura altamente ruidosa e passional, o que dizer do budismo de um garoto pobre da periferia paulistana, corintiano desde o berço?
Só o fato de ter passado ao largo do catolicismo, da umbanda e dos mil tentáculos evangélicos que dominam o ambiente futebolístico já faria de Dentinho um caso à parte.
Mas o mais interessante, a meu ver, é que o seu budismo é um budismo à brasileira, ou melhor, um budismo corintiano, "maloqueiro e sofredor" como convém.

Uma das imagens mais belas e inusitadas do ano futebolístico que passou foi protagonizada por Dentinho e o goleiro Felipe, ao final da partida em que o Corinthians venceu o Ceará, no Pacaembu, selando sua volta à Série A. Invertendo o que normalmente acontece, os dois saltaram o alambrado para cair no meio da massa alvinegra em festa.

Um evento inesquecível.

No momento em que todos os holofotes estão voltados para o Dentão que aliás salvou nesta virada de ano a mídia esportiva da falta de assunto, acho que vale a pena pensar um pouco na trajetória do Dentinho, que o técnico Paulo César Carpegianni tentou sem êxito chamar de Bruno Bonfim.

O noticiário sobre Ronaldo é feito quase só de números: os milhões de reais de salário, as quotas da publicidade, os quilos a mais, o percentual de gordura, as semanas de treino.
Mas na figura de Dentinho, no seu percurso meio desengonçado pelo campo e pela vida, há algo que não se pode medir ou quantificar. Nem definir. Seja no "terrão" da zona leste, no Pacaembu ou nos gramados franceses, é um menino do Brasil, correndo em busca do seu satori (o estado zen-budista de iluminação). E isso é bonito de ver.

José Geraldo Couto - 10/01/2009

9 de jan. de 2009

Ex-vereador Miotto já está empregado

O ex-vereador Jair Antônio Miotto (PTB) perdeu o emprego na Câmara dos Vereadores de Florianópolis, mas logo conquistou um cargo no gabinete do deputado estadual Narcizo Parisotto, também petebista. Miotto foi contratado a partir da Portaria 2098, de 17/12/2008, publicada no Diário da Assembléia Legislativa. Ele foi enquadrado no nível máximo entre os servidores de gabinete.

8 de jan. de 2009

Recordar é viver: LHS x Aprasc

Nos textos a seguir, o leitor vai poder acompanhar a evolução (ou involução) da relação entre a Associação dos Praças de SC (Aprasc) e o governador Luiz Henrique da Silveira. Os textos foram todos extraídos do site oficial do governo: www.sc.gov.br desde 2005. Uma análise de outras fontes, jornais estaduais e a própria imprensa da Aprasc, pode qualificar o entendimento. As fotos são da Secretaria de Comunicação [clique na imagem para ampliar].

Em outubro de 2005, ainda em seu primeiro mandato, o governador Luiz Henrique da Silveira prometeu ampla revisão ao Regulamento Disciplinar dos Policiais Militares (RPDM) e garantiu anistia sempre que houver injustiça e perseguição.

Veja a nota publicada no site do governo.

Governador recebe grupos sindicais pela defesa das liberdades democráticas

Florianópolis (25/10/2005) - O governador Luiz Henrique recebeu em audiência, na tarde desta terça-feira (25), vários grupos sindicais que solicitaram apoio ao Governo do Estado na luta pela defesa das liberdades democráticas e dos movimentos sociais. Mas os grupos, em especial, pediram para que o governador interceda junto à Justiça em favor do sargento da PM, Amauri Soares.

Após ouvir as reivindicações, o governador mostrou-se sensibilizado pelas manifestações e confirmou que há necessidade de transformações na legislação que é secular. “Já realizei várias anistias em outras oportunidades e, em breve, estarei realizando outras. E no que depender da minha assinatura, não haverá injustiças”, afirmou o governador, que salientou ainda o empenho na revisão geral da legislação reguladora de todo o sistema da Segurança Pública do Estado, no sentido de torná-la moderna e justa dentro dos princípios constitucionais. .

Os grupos sindicais, que estiveram representados pela Aprasc (Polícia Militar), Educação, Saúde, Motoristas e Cobradores, entre outros, receberam do governador a certeza de que a democracia e o diálogo continuarão em sua gestão, e informou: “Aos policiais afirmo que novos tempos virão. Já está em encaminhamento para Assembléia Legislativa a nova Lei de Organização Básica da Polícia Militar (a que está em vigência foi escrita em 1983 e ela deveria ter uma vigência de no máximo 10 anos). E, além deste, também está na AL o novo Plano de Carreira e Promoção dos Praça da Polícia Militar. Isso, com certeza, irá recuperar a estima do policial militar", concluiu.

Ainda em 2005, o governador reconheceu a importância das atitudes reivindicatórias da Aprasc e sua legitimidade. A entidade foi fundamental para a confecção do plano de carreira dos praças (Lei Complementar 318, de 17 de janeiro de 2006), tanto que o presidente da Aprasc na época, o sargento Manoel João da Costa, foi convidado pelo ex-governador Eduardo Pinho Moreira, atual presidente do PMDB, para assinar o Decreto nº 4.633, em 11 de agosto de 2006, que regulamenta o plano de carreira.

Confira a notícia publicada no site do governo:

"Governo já promoveu 2.463 PMs", diz Luiz Henrique em comemoração ao Dia do Soldado

Florianópolis (25/8/2005) - O governador destacou que só foi possível chegar a assinatura desse projeto após meses de estudo de uma equipe formada por membros do Governo e por representantes dos praças, como a Aprasc e outras entidades representativas. O projeto estabelece um sistema de pontuação que vai promover soldados e praças que investirem no aprimoramento pessoal por meio de cursos. Haverão as promoções por mérito em casos de bravura. Além disso, 25% das promoções estão reservadas aos policiais mais antigos.

A Aprasc foi a única entidade sindical do Estado que promoveu uma assembléia geral para ouvir os candidatos a governador em 17 de outubro de 2006, no segundo turno. E, depois das explanações dos candidatos Luiz Henrique da Silveira e Esperidião Amin, promoveu uma votação, na qual LHS recebeu ampla maioria de apoio, inclusive - e principalmente - das lideranças. No dia 1º de dezembro de 2007, na posse dos deputados estaduais, Luiz Henrique subiu no palanque dos amigos aprasquianos e prometeu a instalação de uma mesa de negociação em 15 dias. Desde então, de quinzena em quinzena, o governo vai postergando a apresentação de um cronograma de pagamento da Lei 254.

Veja outra nota publicada no site do governo:


Governador participa da posse dos novos deputados e da instalação da 16ª Legislatura

Florianópolis (1/2/2007) - Ao final da solenidade, na Praça Tancredo Neves, em frente à Assembléia, o governador confraternizou com os participantes do ato promovido pela Associação dos Praças de Santa Catarina (Aprasc), ocasião em que reafirmou seu compromisso prioritário com a segurança do cidadão e com a valorização profissional dos policiais militares.

Em 2008, o discurso começou a mudar - e por que não dizer radicalizar - em relação à Aprasc.

Veja as notas retiradas do site do governo

Nota oficial

Florianópolis (26/12/2008) - Tudo isso foi construído no diálogo democrático. Até que, eleito Deputado Estadual, o Sargento Amaury Soares, em nome da APRASC, resolveu seguir pelo caminho da radicalização, fechando via pública e tomando a frente dos quartéis para forçar uma negociação pela Força.

O Governo do Estado não negociará com a faca no peito. Os Comandantes, que contam com o meu total apoio e solidariedade, ao invés de reagir com violência, usarão, com todo rigor, as normas disciplinares previstas em seus regulamentos.

Procuradoria Geral do Estado justifica ação proposta à Justiça

Florianópolis (29/12/2008) - O procurador-geral do Estado, Sadi Lima, justificou nesta segunda-feira (29) a ação proposta à Justiça referente à dissolução da Associação dos Praças de Santa Catarina (Aprasc). "Esta ação foi proposta à Justiça pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) porque a entidade estava exercendo atividades ilícitas. A Constituição Federal limita o direito a associação apenas para fins lícitos. A Aprasc, no entanto, estava sendo utilizada para incitar os militares a fazer greve e a fechar o acesso aos quartéis", informou Lima.

Na mesma ação, a Justiça atendeu ao pedido da PGE para a retirada do ar do site da Aprasc. A referida página da Web estaria sendo usada para ‘fins ilícitos’.

Governo analisa medidas para servidores da Segurança Pública

Florianópolis (7/1/2009) - Por orientação da Procuradoria Geral do Estado (PGE), o governo não vai mais negociar com a Aprasc (Associação das Praças de Santa Catarina). No entender da PGE, a Aprasc não tem legitimidade enquanto perdurar as ações judiciais decorrentes dos episódios registrados no final do ano passado. Em função disto, ficou acertado que cada um dos comandos que formam o sistema de segurança pública, será responsável em conversar com as suas entidades representativas.

Nota explicativa: o texto foi revisado e ampliado às 15h45min de 08/01/2009.

7 de jan. de 2009

Mais do mesmo. E a Lei 254?


A cúpula da Segurança Pública se reuniu durante todo o dia 7 de janeiro e convocou a imprensa para anunciar a grande novidade: o governo não vai pagar a Lei 254. E mais: avisou que não negocia mais com a Aprasc, sob orientação da Procuradoria Geral do Estado, já que a entidade "não tem legitimidade enquanto perdurar as ações judiciais".

Agora, o Executivo também é Judiciário e Ministério Público, pois já acusou e condenou a Aprasc.

Foto: © Alexandre Brandão

Benedet chove e não molha

Ronaldo Benedet (PMDB), secretário de Segurança Pública e Defesa do Cidadão, está se tornando o patinho feio do governo. Pela segunda vez, em menos de 15 dias, ele foi desautorizado pelo governador a negociar com a APRASC.

Na primeira oportunidade, em uma reunião secreta na véspera de Natal com representantes dos praças, ele se comprometeu a atender algumas condições para o encerramento do movimento de paralisação dos quartéis. O encontro foi realizado na sede do Sinte Regional de Florianópolis e teve ainda a participação do comandante geral da PM, coronel Eliésio Rodrigues. Benedet aceitou as condições, mas pediu algumas horas para se reportar ao chefe.

Pelo combinado, a reunião seria retomada no período da tarde. Já eram quase 15 horas, quando Benedet avisou, por telefone, que estavam encerradas as conversações e nem apareceria para a conversa vespertina. O secretário foi enquadrado pelo governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e seu Comitê Gestor, hoje dominado pelo DEM.

Ontem, em matéria publicada no jornal online do "Diário Catarinense", a assessoria do secretário informou que haveria reunião com a APRASC no dia 7 de janeiro - uma hora e meia depois, a assessoria do Palácio "desmentiu" a notícia. O ClicRBS (na imagem) manteve a "correção" com destaque.

Benedet sabe muito bem que esse embróglio com os praças, levado adiante pelo governo, só prejudica sua carreira política. Na última eleição para deputado estadual, ele foi um dos mais votados do Estado porque recebeu forte apoio do setor segurança pública. A briga interessa mais aos Democratas, que o vêem mais como concorrente do que como aliado. O também deputado-licenciado, Onofre Santo Agostini (DEM), secretário do Desenvolvimento Econômico Sustentável, vai ser seu principal opositor numa disputa para a Câmara Federal.

Em conversas reservadas, quando estava prestes a assumir a Secretaria da Fazenda, Antônio Gavazzoni (DEM) chegou a classificá-lo de "incompetente" e chamou para si a responsabilidade de negociar e autorizar o pagamento. É o líder da fritura.

Benedet só não foi demitido porque seria mal negócio para Luiz Henrique. Vontade e forças políticas puxando para esse lado não faltam.

4 de jan. de 2009

Corinthians se acerta em 2008, mas pode errar com Ronaldo em 2009

O Corinthians terminou seu calendário de competições em 2008 praticamente impecável. Ascendeu à Série A com glória e merecimento e - de quebra - quebrou todos os recordes da Segundona: 74% de aproveitamento, 79 gols pró, 29 contra e 50 de saldo. Nada mais que sua obrigação, poderiam dizer os anti-corinthianos. Mas o Timão fez muito melhor que o Grêmio e Palmeiras, quando eles caíram para a Série B.

Na Copa do Brasil, principal atalho para a Copa Libertadores, o Corinthians chegou quase lá. Ficou muito próximo de ser campeão. Certamente, a equipe liderada pelo técnico Mano Menezes ainda não estava preparada. O amadurecimento se deu mesmo durante a Série B.

A propósito, a contratação do atacante Ronaldo pode quebrar a principal virtude do elenco do Corinthians. Um grupo homogêneo, sem grandes estrelas e com todos disputando as vagas de titular. O Fenômeno vai ganhar uma salário de galáctico, para os padrões brasileiros, e já pode contar com uma vaga de titular no ataque. Suas declarações tentando desmentir seus privilégios só reforçam a hipótese que ele pode desestabilizar o elenco.

A intenção do presidente Andrés Sanches com a contratação de Ronaldo é aumentar a exposição da marca Corinthians no Brasil e mundo e trazer lucros em vendas de produtos licenciados, ingressos e patrocínios. Enfim, ele está colocando a publicidade acima do departamento de futebol. Da mesma forma que, em tempos remotos, o Timão colocou as finanças nas mãos da MSI de Kia Joorabchin.

Espero que Sanches esteja certo e eu errado.