Cabeçalho 1

7 de jan. de 2009

Benedet chove e não molha

Ronaldo Benedet (PMDB), secretário de Segurança Pública e Defesa do Cidadão, está se tornando o patinho feio do governo. Pela segunda vez, em menos de 15 dias, ele foi desautorizado pelo governador a negociar com a APRASC.

Na primeira oportunidade, em uma reunião secreta na véspera de Natal com representantes dos praças, ele se comprometeu a atender algumas condições para o encerramento do movimento de paralisação dos quartéis. O encontro foi realizado na sede do Sinte Regional de Florianópolis e teve ainda a participação do comandante geral da PM, coronel Eliésio Rodrigues. Benedet aceitou as condições, mas pediu algumas horas para se reportar ao chefe.

Pelo combinado, a reunião seria retomada no período da tarde. Já eram quase 15 horas, quando Benedet avisou, por telefone, que estavam encerradas as conversações e nem apareceria para a conversa vespertina. O secretário foi enquadrado pelo governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e seu Comitê Gestor, hoje dominado pelo DEM.

Ontem, em matéria publicada no jornal online do "Diário Catarinense", a assessoria do secretário informou que haveria reunião com a APRASC no dia 7 de janeiro - uma hora e meia depois, a assessoria do Palácio "desmentiu" a notícia. O ClicRBS (na imagem) manteve a "correção" com destaque.

Benedet sabe muito bem que esse embróglio com os praças, levado adiante pelo governo, só prejudica sua carreira política. Na última eleição para deputado estadual, ele foi um dos mais votados do Estado porque recebeu forte apoio do setor segurança pública. A briga interessa mais aos Democratas, que o vêem mais como concorrente do que como aliado. O também deputado-licenciado, Onofre Santo Agostini (DEM), secretário do Desenvolvimento Econômico Sustentável, vai ser seu principal opositor numa disputa para a Câmara Federal.

Em conversas reservadas, quando estava prestes a assumir a Secretaria da Fazenda, Antônio Gavazzoni (DEM) chegou a classificá-lo de "incompetente" e chamou para si a responsabilidade de negociar e autorizar o pagamento. É o líder da fritura.

Benedet só não foi demitido porque seria mal negócio para Luiz Henrique. Vontade e forças políticas puxando para esse lado não faltam.

4 de jan. de 2009

Corinthians se acerta em 2008, mas pode errar com Ronaldo em 2009

O Corinthians terminou seu calendário de competições em 2008 praticamente impecável. Ascendeu à Série A com glória e merecimento e - de quebra - quebrou todos os recordes da Segundona: 74% de aproveitamento, 79 gols pró, 29 contra e 50 de saldo. Nada mais que sua obrigação, poderiam dizer os anti-corinthianos. Mas o Timão fez muito melhor que o Grêmio e Palmeiras, quando eles caíram para a Série B.

Na Copa do Brasil, principal atalho para a Copa Libertadores, o Corinthians chegou quase lá. Ficou muito próximo de ser campeão. Certamente, a equipe liderada pelo técnico Mano Menezes ainda não estava preparada. O amadurecimento se deu mesmo durante a Série B.

A propósito, a contratação do atacante Ronaldo pode quebrar a principal virtude do elenco do Corinthians. Um grupo homogêneo, sem grandes estrelas e com todos disputando as vagas de titular. O Fenômeno vai ganhar uma salário de galáctico, para os padrões brasileiros, e já pode contar com uma vaga de titular no ataque. Suas declarações tentando desmentir seus privilégios só reforçam a hipótese que ele pode desestabilizar o elenco.

A intenção do presidente Andrés Sanches com a contratação de Ronaldo é aumentar a exposição da marca Corinthians no Brasil e mundo e trazer lucros em vendas de produtos licenciados, ingressos e patrocínios. Enfim, ele está colocando a publicidade acima do departamento de futebol. Da mesma forma que, em tempos remotos, o Timão colocou as finanças nas mãos da MSI de Kia Joorabchin.

Espero que Sanches esteja certo e eu errado.

2 de jan. de 2009

Mais veloz que Superman: Justiça obriga exclusão do novo site da APRASC

A Justiça é cega, mas bastante veloz. Mais uma vez, a Dona Justa determinou a retirada do novo site da APRASC (aprascnaluta.com.br), a pedido do comandante geral da Polícia Militar, coronel Eliésio Rodrigues. A decisão foi da juíza substituta Maria Augusta Tridapalli, assinada às 17h25min, e entregue por oficial de justiça ao presidente da entidade, deputado Sargento Amauri Soares, em sua residência, às 18h55min.

De acordo com a determinação da juíza, até o dia 7 de janeiro está proibida a confecção de novo endereço, sob pena de multa de R$ 10 mil por dia.

No dia 27 de dezembro, quando suspendeu o movimento de paralisação dos quartéis em todo Estado, a APRASC recebeu determinação da Justiça, a pedido do governador Luiz Henrique da Silveira, para suspender o site aprasc.org.br.

[Enquete] Em quem você não votaria para governador em 2010?

Montei uma enquete testar a rejeição dos principais possíveis candidatos ao governo do Estado de SC: Dário Berger (PMDB), Eduardo Pinho Moreira (PMDB), Ideli Salvatti (PT), Leonel Pavan, (PSDB) e Raimundo Colombo (DEM).

Vote na coluna do lado direito.

30 de dez. de 2008

Sobre abstenção e obediência


Até o deputado peemedemista Edison Andrino apelou pela suspensão da votação do Projeto de Lei 254/2008, que institui a avaliação integrada da bacia hidrográfica para fins de licenciamento ambiental. Para ele, a coincidência númerica com a lei dos salários dos servidores da segurança pública (Lei Complementar 254/2003) é simbólica e sua aprovação não vai dar certo. "Não é um bom prenúncio. Foi o número mais escutado nessa Casa", disse, ao defender a mudança para ano que vem. "Quem sabe a gente conserta um pouco esse projeto, se é que tem conserto. Eu noto que a base de apoio não quer votar contra o governo e acaba se abstendo".

Os deputados-suplentes José Natal (PSDB) e Professor Sérgio Grando (PPS) também defenderam a não votação, além, é claro, das bancadas petistas e pepistas. Natal foi centralizado pela liderança do PSDB e obrigado a votar sim. "Estou sendo cabresteado e vou atender", confessou resignado.

Os apelos não foram suficientes. O presidente Julio Garcia conduziu sua última sessão como começou: o PL foi aprovado por 14 votos favoráveis, 10 contrários e 10 abstenções. Natal votou "sim", contra sua própria convicção, pois já tinha afirmado que desconhece o projeto.