Professor Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho, Ph.D
LETA - Laboratório de Etologia Aplicada, DZR/CCA/UFSC. Florianópolis, SC
www.leta.ufsc.br
pinheiro@cca.ufsc.br
Retornando ontem (24/11) de Curitiba pude presenciar os danos e tragédias da presente enchente. Campos, lavouras e cidades alagadas. Pessoas sem casas, animais no meio da água, sem alimento e sem abrigo, alguns já mortos, veículos boiando, soterramentos, pedaços de morro caindo. Uma verdadeira tragédia. Tive muita sorte de conseguir chegar a Florianópolis.
Não pude deixar de pensar na atual proposta, em tramitação na Assembléia Legislativa, da nova "lei ambiental catarinense". Essa lei, de iniciativa do mesmo governo que está atônito diante da tragédia catarinense, se aprovada irá piorar ainda mais os efeitos de chuvas como essa, que são fenômenos NATURAIS, e que SE REPETIRÃO no futuro.
A "nova" lei reduz a faixa de mata ciliar que deve ter nas margens dos cursos de água, libera o desmatamento, deixa de proteger fontes de água, define campos de altitude como 1.800m, o que só acontece no Morro da Igreja. Também se "aproveita a onda" para reduzir a área do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro.
Essa legislação é o resultado da pressão de fazendeiros, fábricas de celulose, e outros interesses, apoiados na justa preocupação de pequenos agricultores que dispõe de pequenas quantidades de terra para plantio. É preciso que a atual enchente sirva de exemplo do que acontece quando agimos irresponsavelmente com a Natureza. E que deixemos interesses menores de lado e pensemos nas trágicas e caras conseqüências que estamos semeando.
Os parlamentares que votarem nessa lei que saibam da irresponsabilidade que vão cometer, que as próximas enchentes serão ainda piores, e que serão co-responsáveis pelas futuras tragédias. Assim como alguns governantes e legisladores do passado são co-responsáveis pela atual tragédia. As atuais conseqüências das chuvas seriam bem menores se a Mata Atlântica não tivesse sido tão destruída no litoral, se os rios não estivessem tão assoriados, se ainda houvesse matas nas margens dos rios e cursos de água, se a mata original das encostas não tivesse sido destruída. Na hora de fazer emprendimentos e ganhar dinheiro, as pessoas costumam esquecer das conseqüências.
Parece uma curiosa coincidência que esta enchente e tragédia venha exatamente no momento em que a Assembléia Legislativa do Estado discute justamente uma lei ambiental.
Cabeçalho 1
3 de dez. de 2008
30 de nov. de 2008
Novembrada faz 29 anos
O caos causado pela chuva incessante em Santa Catarina favoreceu o esquecimento da efeméride de hoje. Há 29 anos aconteceu a Novembrada em Florianópolis, um dos acontecimentos políticos mais importantes para o Estado. A Novembrada foi uma grande manifestação dos catarinenses contra a ditadura, que repercutiu em todo país e ajudou a derrubar o governo dos generais.
O protesto foi organizado pelo Diretório Central dos Estudantes da UFSC e tomou proporções que as lideranças estudantis não imaginavam. Sete estudantes foram presos e enquadrados na Lei de Segurança Nacional: Adolfo Luís Dias, Amilton Alexandre, Geraldo Barbosa, Lígia Giovanella, Marise Lippel, Newton Dias Vasconcelos e Rosângela de Souza. Todos acabaram absolvidos, por falta de provas, pela Justiça Militar em Curitiba, dois anos depois.
O episódio rendeu o curta-metragem "Novembrada", de Eduardo Paredes, premiado pelo Festival de Gramado, em 1998, com três kikitos: Melhor Direção de Arte, Melhor Filme (Júri Popular) e Prêmio Canal Brasil. Além dos livros "Revolta em Florianópolis: a Novembrada de 1979" (Luis Felipe Miguel, 1995) e "Novembrada: um Relato da Revolta Popular" (Moacir Pereira).
Em tempo: o blog do Amilton Alexandre, um dos estudantes presos, também recordou o episódio com a crônica de Raul Caldas Filho.
O protesto foi organizado pelo Diretório Central dos Estudantes da UFSC e tomou proporções que as lideranças estudantis não imaginavam. Sete estudantes foram presos e enquadrados na Lei de Segurança Nacional: Adolfo Luís Dias, Amilton Alexandre, Geraldo Barbosa, Lígia Giovanella, Marise Lippel, Newton Dias Vasconcelos e Rosângela de Souza. Todos acabaram absolvidos, por falta de provas, pela Justiça Militar em Curitiba, dois anos depois.
O episódio rendeu o curta-metragem "Novembrada", de Eduardo Paredes, premiado pelo Festival de Gramado, em 1998, com três kikitos: Melhor Direção de Arte, Melhor Filme (Júri Popular) e Prêmio Canal Brasil. Além dos livros "Revolta em Florianópolis: a Novembrada de 1979" (Luis Felipe Miguel, 1995) e "Novembrada: um Relato da Revolta Popular" (Moacir Pereira).Em tempo: o blog do Amilton Alexandre, um dos estudantes presos, também recordou o episódio com a crônica de Raul Caldas Filho.
25 de nov. de 2008
Risco de deslizamentos e alagamentos foi alertado com antecedência

Não foi a falta de aviso que pode ter surpreendido o governo e os órgãos de segurança e defesa civil para prevenir ou reagir diante do caos que assolou o Vale do Itajaí e a Grande Florianópolis. Um aviso meteorológico emitido pelo Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia da Epagri, de 19 de novembro, informou sobre os riscos de alagamento e deslizamentos. O informe explicou que uma circulação marítica (lestada) iria se intensificar a partir de quinta-feira (20/11), "provocando chuva significativa e persistente no Litoral e Vale do Itajaí". Continua a nota:
"O mapa acima mostra o acumulado de chuva nas próximas 96h e pode-se observar que a previsão é de chuva entre 60 e 100mm (tons de verde escuro e azul claro) da Grande Florianópolis ao Litoral Norte, e variando entre 50 e 100mm entre Florianópolis e o Litoral Sul. No Vale do Itajaí, a chuva mais intensa deve ocorrer próxima ao Litoral, podendo também chegar a 100mm. O leste do Planalto Norte também vai sofrer a influência da circulação marítima, mas a chuva será menos volumosa. ALERTA-SE NOVAMENTE PARA POSSÍVEIS ALAGAMENTOS E DESLIZAMENTOS NO FIM DESTA SEMANA NO LITORAL E VALE DO ITAJAÍ."
Com caixa alta mesmo.
18 de nov. de 2008
Muito prazer, Mosquito

Hoje tive o prazer de conhecer o Mosquito (aquele do famoso Blog Tijoladas do Mosquito). Na verdade, eu já o conhecia, não pessoalmente, mas das atividades dele nos movimentos populares, principalmente durante as jornadas de luta do Movimento Passe Livre, quando ele queria dar lição pra gurizada e, na maioria das vezes, não era ouvido. Lembro também de seu extinto programa na TV Cultura (ou seria na TV Floripa!?), cujo símbolo era uma bernunça. Quer coisa mais manezinha? Faz tempo, mas eu não esqueço. A propósito, Mosquito, você poderia voltar a usar esse símbolo nesse seu blog.
O Mosquito estava pela Assembléia Legislativa fazendo uma "cobertura" dos acontecimentos. Pelo jeito, não conseguiu cobrir muita coisa, pois a sessão foi bastante ligeira. Ele estava indignado com a investidura de Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do presidente Lula, na Prefeitura de São José, após convite do prefeito eleito Djalma Berger (PSB). Ao seu lado, o jornalista Marcelo Fernandes, da Rádio Guarujá, cobrou, ironicamente, menos ingenuidade do Mosquito.
Me comprometi mandar, de vez em quando, alguma informação exclusiva. Como ele adicionou o Blog do Tupã no seu diário, faço a mesma gentileza.
Gostem ou não, o Mosquito é uma figura importante no cenário político e cultural da Ilha.
17 de nov. de 2008
Aumento de 400% para as viúvas
Fotos © Carlos Kilian / Divulgação Alesc
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